4 de jul de 2016

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Viver pra depois morrer



A pior coisa que tem no mundo é enterrar quem amamos. Eu estou falando de enterrar literalmente. Velar o corpo sem movimentos. Ver ali o fim da linha. Observar em volta a tristeza dos que ficaram e não poder fazer nada. O pior da morte é isso. É não termos mais opções, a não ser aceitar. É querer fazer parar de doer e saber que não há remédio no mundo que cure. Por pior que seja um enterro, ele é também um momento de deixar a "ficha cair". É ali que entendemos que realmente não tem mais volta.

É difícil de entender pessoas que matam outras. Eu nunca odiei ninguém na minha vida, mas confesso que já senti uma raiva forte, mas nunca para querer tirar a vida de alguém e fazer com que os amigos e familiares passem por um momento como esse. Não consigo desejar isso nem para os que são capazes de tirar vidas. É triste demais. É muita gente que sofre.

Nossa vida já é tão frágil. Se pararmos pra pensar, existem tantos jeitos bobos para morrer. Andando na rua, um tropeço ser fatal. Um descuido e Pá! Tudo se acaba. Sem falar nas doenças. Cada dia surge uma nova para nos preocuparmos. Um mosquito pode nos matar, já parou pra pensar nisso? Sem falar nas que são a longo prazo. Celular, ar condicionado e microondas podem causar câncer. É muita loucura pensar assim. Quem vive sem essas coisas hoje em dia?

Não tem jeito! A única certeza que temos da nossa vida é do fim dela. E na maioria das vezes é quando ninguém espera. O pior de tudo, na minha opinião, é o fim da vida de quem amamos. É o que nos mata por dentro e somos obrigados a seguir aguentando a dor até que ela se amenize com o tempo, porque sarar mesmo, nunca mais.

Temos que aproveitar cada instante para correr atrás dos nossos sonhos e compartilhá-los com quem amamos. O minuto seguinte é duvidoso para todos nós. O tempo é curto para desperdiçarmos. Então temos viver intensamente para que no final a dor dos que ficarão compense de alguma forma.

- Dedico esse texto ao meu tio Jorge que faleceu no dia 30/06/2016. Foi um exemplo de como aproveitar a vida. Bebeu suas cachaças e fumou seus cigarros sim! Eu fui em seu enterro, doeu demais. Mas se eu pudesse fazer alguma coisa, eu não apagaria um só cigarro e nem deixaria seu copo vazio, pois tudo isso o fez ser quem ele foi: Jorge Luis do Santo Gregorio. Ficará para sempre em minha memória e minha geração saberá de sua existência. E eu o eternizo aqui com esse texto.

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